Ainda sem comentar a decisão do STF (Supremo Tribunal

Federal) sobre prisão em segunda instância que pode beneficiar o ex-presidente

Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) atribuiu sua

eleição à atuação do ministro Sergio Moro (Justiça) enquanto juiz.

Polícia Civil do RJ apreende sistema de comunicação do condomínio de BolsonaroSTF revoga prisão após condenação em segunda instância e Lula pode ser soltoEm discurso na cerimônia de formatura de curso para Polícia

Federal, Bolsonaro elogiou sua equipe de ministros, entre eles Moro, que estava

no evento. O presidente lembrou do episódio de 2017 em que o ex-juiz ignorou o

capitão reformado em um aeroporto e disse que isso ocorreu porque Moro não

poderia se aproximar de políticos ou ter partido.

"Ele estava cumprindo sua missão. Se essa missão dele

não fosse bem cumprida, eu também não estaria aqui", disse. "Então

parte do que acontece na política no Brasil devemos a Sergio Moro. Se for

comparar a uma corrente, talvez o elo mais forte dessa corrente".

Bolsonaro ainda não comentou publicamente a decisão do STF.

Na noite de quinta-feira (7), o plenário do Supremo decidiu, com placar

apertado de 6 votos a 5, que um condenado só pode ser preso após o trânsito em

julgado (o fim dos recursos), alterando a jurisprudência, que desde 2016, tem

permitido a prisão logo após a condenação em segunda instância.

A decisão, uma das mais esperadas dos últimos anos, tem

potencial de beneficiar cerca de 5.000 presos, segundo o CNJ (Conselho Nacional

de Justiça), incluindo Lula, preso desde abril de 2018 pelo caso do tríplex de

Guarujá (SP). O Brasil tem, no total, aproximadamente 800 mil presos.

No início do julgamento, ele havia publicado em suas redes

sociais uma mensagem dizendo ser favorável à prisão após condenação de segunda

instância. "Aos que questionam, sempre deixamos clara nossa posição

favorável em relação à prisão em segunda instância. Proposta de Emenda à

Constituição que encontra-se no Congresso Nacional sob a relatoria da deputada

federal Caroline de Toni (PSL-SC)", escreveu.

Mais tarde, a publicação na rede de Bolsonaro foi apagada. O

filho do presidente Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), vereador na cidade no Rio, pediu

desculpas pela mensagem. "Eu escrevi o tweet sobre segunda instância sem

autorização do presidente. Me desculpem todos!", escreveu o vereador na

sua conta do Twitter. "A intenção jamais foi atacar ninguém! Apenas expor

o que acontece na Casa Legislativa!", afirmou o vereador.

No discurso desta sexta, Bolsonaro levou dois policiais que

fizeram sua segurança durante a campanha e lembrou da facada sofrida em Juiz de

Fora (MG). O presidente disse ter conversado com a equipe na praça. "É a

última vez que eu vou no meio do povão, porque vai acontecer algo de

grave".

Atribuiu ainda ao planejamento dos dois policiais o rápido

atendimento recebido após a facada. Bolsonaro também comentou as críticas têm

sofrido. "Tenho muito orgulho, apesar das dores de cabeça, por vezes de

acusações infundadas, vale a pena esse sacrifício pela nossa pátria",

afirmou.

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