Como é a alimentação do seu filho? Um relatório divulgado pela UNICEF apontou que crianças com menos de cinco anos estão sofrendo consequências físicas da má alimentação.

Alimentação infantil: o que fazer quando a criança não come?Segundo o relatório, pelo menos, uma em cada três crianças com menos de 5 anos, ou seja, cerca de 250 milhões, está desnutrida ou com sobrepeso.

Ainda segundo o alerta da UNICEF, quase duas em cada três crianças, entre 6 meses e 2 anos de idade, não recebem alimentos capazes de sustentar o crescimento rápido de seu corpo e de seu cérebro.

Especialista dá dicas para garantir uma alimentação saudável, prazerosa e nutritiva para as crianças. Arquivo Pessoal

A nutricionista especialista em nutrição clínica, Rayanne Vieira, explica que a alimentação saudável é um fator que garante o crescimento e desenvolvimento correto de uma criança, não somente durante a infância, mas também na adolescência.

Como criar um filho emocionalmente saudável?"A alimentação tem papel importante na aprendizagem das crianças, visto que a ciência já comprovou que alunos bem nutridos podem apresentar melhores notas e aproveitamento do que aqueles que têm uma alimentação desequilibrada ou deficiente", alerta.Marketing de alimentos

Segundo Rayanne, crianças que frequentam restaurantes e fast-food com maior frequência tendem a ter os piores resultados no desempenho escolar.

"Na faixa dos 3 anos de idade já foi constatado que os alimentos embutidos e industrializados fazem mal à saúde, e com isso tendo maiores chances de crianças se tornarem futuros adultos com dificuldades na aprendizagem", explica ela, acrescentando que são "alimentos pobres de nutrientes importantes para o fortalecimento do desenvolvimento da criança, como o ferro".

Crianças: veja como evitar acidentes em escadas rolantes e elevadoresAlém de deixaram as crianças sujeitas a dificuldades de aprendizagem, baixa imunidade, aumento de infecções e, em muitos casos, a morte.

"O caso mais grave de má nutrição também causa queda de cabelo e quebra das unhas. O futuro dessas crianças, que muitas vezes se tornam obesas, é uma vida adulta ameaçada pela hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, varizes, hérnias, doenças emocionais, câncer e problemas ortopédicos e respiratórios", alerta a especialista.

A nutricionista enfatiza que crianças bem alimentadas têm maior facilidade de aprendizado porque conseguem raciocinar corretamente, já que o cérebro está sendo nutrido com energia durante seu funcionamento.

Para Rayanne, é importante iniciar a formação de hábitos alimentares assim que as crianças são apresentadas aos alimentos, assim que abandona o leite materno.

"A infância é o período de formação dos hábitos alimentares. O entendimento dos fatores determinantes possibilita a elaboração de processos educativos, que são efetivos para mudanças no padrão alimentar das crianças. As mudanças irão contribuir no comportamento alimentar na vida adulta", garante.

Bullying na infância e adolescência: Como identificar e combater?A especialista destaca ainda que a alimentação saudável é essencial para o crescimento, desenvolvimento e manutenção da saúde e, que, hábitos alimentares inadequados acarretam problemas de saúde não só imediatos, mas também a longo prazo.

"Manter uma alimentação saudável para crianças nunca pareceu algo tão complexo como nos últimos dez anos. Você já reparou como o marketing de alimentos facilmente tem as crianças como alvo? São propagandas com jingles gostosos de cantar, embalagens coloridas e que chamam a atenção dos pequenos. Parece que tudo passou a ser feito com a intenção de convencer as crianças de comerem mais… bem ou mal", opina ela.

Para a nutricionista, a palavra praticidade também virou sinônimo de despreocupação para algumas famílias. Com agendas lotadas e vidas atarefadas, os pais e responsáveis recorrem a enlatados ou comidas rápidas e desprovidas de nutrientes, seja na lancheira da escola ou no prato do almoço.

"Se esse consumo para os adultos não é algo positivo, imagina para a alimentação infantil. Como pais, é importante a orientação sobre hábitos saudáveis das suas crianças. Ajudar o filho a aprender e entender mais sobre alimentação fará com que a escolha pelos melhores alimentos aconteça naturalmente, em curto e médio prazo. Essa modelagem que você proporciona desde cedo, ajudará seu filho a manter um estilo de vida mais positivo e benéfico para a saúde. A consequência é um crescimento bem mais saudável, favorecendo o psicológico, o fisiológico e o social da criança", enfatiza.

Dicas para transformar o hábito alimentar das crianças

Para Rayanne, o acesso à informação é um dos melhores caminhos para essa geração de crianças e adolescentes que crescem em um mundo industrializado.

"Em vez de ditar quais alimentos a criança deve comer, guie as escolhas que ela faz. Deixe vários alimentos saudáveis em sua dispensa e que a criança descubra cada um deles e tenha prazer em comê-los. Mostre que alimentos saudáveis não precisam ser, necessariamente, sem graça. Deixe de fora as batatas fritas ensacadas, biscoitos recheados, suquinhos de caixinha e, principalmente, refrigerantes", recomenda.

Outra dica da nutricionista é fazer o máximo de refeições em família. "Por mais agitada que seja a sua rotina de pai e/ou mãe, acreditamos que, pelo menos em uma refeição, dá para reunir a família e comer junto. Promova conversas agradáveis. Essa ação também ajuda a criança a comer mais devagar, pois esse será um momento agradável para ela", explica.

Para a nutricionista, outra dica importante é envolver os filhos em compras na feira ou na preparação das refeições. "Evite levá-lo para o supermercado ainda nesse processo de reeducação alimentar, mas quando precisar fazer compras em feiras de frutas e verduras, leve-o com você. O aroma e as cores das feiras encantam também e ele certamente descobrirá um mundo bastante agradável. Convidar a criança para o preparo das refeições também é uma ótima maneira de incentivá-la a comer bem. Mantenha esse hábito pelo menos uma vez na semana", orienta.

Como ajudar uma mãe com depressão pós-parto?Rayanne concluiu que restringir nunca será o melhor caminho. Segundo ela, dá para comer corretamente e sem precisar ter no prato somente alimentos sem graça.

"Se você apenas introduz frutas e verduras como algo que 'precisa comer porque é saudável', a criança pode criar um senso de rejeição ao alimento. É diferente, por exemplo, quando você cria uma sobremesa deliciosa utilizando essas mesmas frutas ou quando acrescenta legumes em um prato que seu filho gosta muito. Esse é o melhor caminho para criar uma rotina de alimentação saudável e totalmente natural para as crianças", explica a nutricionista, destacando a importância da ajuda profissional nesse processo. "Além de ajudar na parte psicológica, também indicará as melhores e mais atrativas combinações para as suas refeições. Está mais preparado para buscar a alimentação saudável para as crianças?", questiona ela. Reportagem: Andressa FerreiraMultimídia: Gabriel CaldasEdição: Gustavo Dutra

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