Tortura física, emocional e psicológica, de pessoas que são

xingadas e apanham sem sequer entender o motivo. O

bullying é um fenômeno que atinge crianças e adolescentes e pode aumentar o risco de

suicídio. É o que alerta a pedagoga e neuropsicopedagoga Clíssia Silva.

Como criar um filho emocionalmente saudável?Segundo Clíssia, as consequências na vida das vítimas são

variadas, causando além de evasão escolar e aversão ao ambiente que esse

indivíduo frequenta, como dificuldades de interação social, baixa autoestima,

dificuldade de autoaceitação, isolamento, depressão, ansiedade, baixo

rendimento escolar, medo, consumo de álcool e drogas e outras capazes de

permanecer e influenciar no comportamento e na relação social futura da vida

adulta desse indivíduo.

Neuropsicopedagoga Clíssia Silva explica quais sinais os pais devem ficar atentos. Arquivo Pessoal

“A ajuda de profissionais é muito importante para a

superação das consequências sofridas pela vítima no tempo que a mesma foi alvo

desse ato, sendo assim, primordial o acompanhamento de profissionais, como

assistentes sociais, psicólogos, educadores e afins”, recomenda a especialista.

Setembro Amarelo: Como ajudar uma mãe com depressão pós-parto?A neuropsicopedagoga destaca ainda, que a cultura do

estímulo a “não levar desaforo para casa”, de “dar o troco” e ensinar que a

vida é “olho por olho e dente por dente” pode ser prejudicial na criação e

educação dos filhos.

“Essas atitudes e pensamentos influenciam

o sujeito a sempre demonstrar que ele é capaz de resolver sozinho seus

problemas. Em contrapartida, o agressor nem sempre tem um motivo, como por

exemplo uma vingança para demonstrar o seu poder, pois o bullying se dá por uma

prática repetitiva de agressões diretas ou indiretas. O fato de mostrar a sua

autoridade, a sua força e influência naquele espaço para as outras pessoas, torna-se

as razões para o início da sua prática, por isso ele sempre irá em busca de

alvos fáceis, como um aluno novato ou um sujeito que não ofereça riscos

significativos a ele”, explica.

Alimentação infantil: o que fazer quando a criança não come?Um estudo realizado no Reino

Unido apontou que adolescentes entre 12 e 15 anos que sofrem bullying na escola

apresentam risco até três vezes maior de tentar o suicídio.

O levantamento mostra ainda,

que na faixa etária de 11 a 16 anos, pelo menos 17% dos adolescentes vítimas de

bullying consideram tirar a própria vida para fugir da perseguição. Ver essa foto no Instagram Bullying é um assunto muito sério que pode levar à depressão e até mesmo a atitudes e ações com consequências irreparáveis. Por isso, se você sofre bullying, fale com seus pais e amigos. E se vocês, pai e mãe, acreditam que seus filhos possam estar passando por essa situação, conversem com eles. Preste atenção aos sintomas da depressão. Se eles aparecerem, procure ajuda. Se Liga! #DêUmLikeNaVida Saiba mais em saude.gov.br/depressao #Bullying #Depressão #PraCegoVer: Na imagem, temos uma fotografia de um pai e uma mãe conversando com sua filha. Ao lado temos as frases: “Bullying não é frescura. Frescura é não falar sobre isso”. Uma publicação compartilhada por Ministério da Saúde (@minsaude) em 23 de Set, 2019 às 2:00 PDT

Fique atento aos sinais

Mas, então, como reconhecer

quando uma criança ou um adolescente está sofrendo bullying? Segundo a

neuropsicopedagoga, as vítimas demonstram comportamentos como baixa autoestima,

tristeza, isolamento, introversão, dificuldade da autoaceitação, depressão,

medo, ansiedade, aversão ao ambiente escolar ou ao ambiente em que essa criança

está sofrendo o bullying.

Clíssia destaca ainda, que os

pais devem ficar atentos a hematomas não justificáveis e outros comportamentos que

normalmente não tem ligação com seu comportamento habitual.

“O conhecimento desse assunto

deve ser conversado com essas crianças e com esses adolescentes, com o objetivo

de informar como essa prática resulta em situações prejudiciais tanto para quem

realiza quanto para quem é alvo de bullying”, recomenda.

A especialista ressalta

também, que a família e a escola devem caminhar juntas no combate ao bullying.

“É importante que tanto a

família, quanto a escola tenham o conhecimento do que é o bullying e

mantenham-se atentos nas relações entre os alunos, pois a prática ocorre em

muitas das vezes nos momentos de atividades recreativas, como o intervalo,

aulas de educação física, na hora da saída, como também dentro da sala de aula.

Para isso é necessário que o conhecimento do comportamento do aluno que é

vítima ou do comportamento do aluno que é agressor, seja observado e avaliado,

em virtude das recorrências e dos resultados que essa prática ocasiona nesse

sujeito”, orienta.

Como combater?

Para Clíssia, o bullying só

pode ser combatido com socialização, através de atividades dentro da sala de

aula, expositivas, com palestras, roda de conversas e debates referentes ao

assunto.

“Trazer esse ponto como um momento de

socialização entre esses indivíduos, é uma forma de expor e explicar como ela

ocorre, que efeitos negativos acarreta, tanto para o agressor quanto para a

vítima, como deve ser combatido e até mesmo evitado”, garante.

Os pais, para a

neupsicopedagoga, também são público-alvo dessas atividades, assim o processo

de relação entre escola e família, tornando-se mais efetivo e com orientações

direcionadas.

“Os pais devem demonstrar o

alto grau de importância em ter uma relação mais aberta e transparente com seus

filhos, apresentando a eles o quão é importante a presença deles no ambiente

escolar, tanto para a escola quanto para o filho, e também a sua relação com

seus filhos, através do ato de conversar, orientar, compreender, ouvir e falar”,

recomenda. Reportagem: Andressa FerreiraEdição: Enderson Oliveira

Conteúdo Patrocinado

MAIS ACESSADAS