Enquanto uns choram, outros vendem lenço. A antiga máxima do ex-guru da

propaganda, Nizan Guanaes, aplica-se bem ao cenário de gangorra proporcionada

pelo futebol, principalmente no Brasil, onde a estabilidade dos técnicos

depende diretamente de resultados. Inexiste trabalho paciente, de médio prazo,

pelo menos. O tempo de média de permanência de um treinador no cargo não passa

de quatro meses.

A situação é mais sensível em clubes de massa, como Remo e PSC, onde a

pressão por vitórias beira a obsessão. E tudo fica ainda mais à flor da pele

quando os rivais se cruzam, em confrontos que arrastam multidões. O clássico

inicial não define nada, mas pode derrubar técnico.

No ano passado, o Remo ensaiava um projeto ousado, prestigiando um

técnico nativo, ligado à base do clube. João Neto, o Netão, vinha credenciado

por uma intervenção miraculosa no semestre anterior salvando o clube de

rebaixamento quase certo à Série D.

A torcida, grata pela atuação do jovem técnico no Brasileiro, abraçou a

causa. A lua de mel durou só até o clássico da primeira fase do Parazão.

Desgastado pela eliminação na Copa do Brasil frente ao Serra-ES, dias antes,

Netão não resistiu à derrota por 3 a 0 contra o PSC.

Após perder o zagueiro Mimica, por lesão, aos 4 minutos, o Remo tomou um

gol aos 12’ e teve o atacante David Batista expulso aos 20’, o que

desestruturou por completo a equipe. Mesmo assim, não houve contemplação: o

técnico acabou rodando.

Rafael Jaques atravessa um momento que lembra o drama de Netão. A única

diferença é que, ao contrário de 2019, o Remo jogou primeiro o clássico,

ficando para decidir amanhã a vaga à 2ª fase da Copa do Brasil, contra o Frei

Paulistano, em Sergipe.

Até o leãozinho de pedra do Baenão sabe que o futuro do técnico depende

do que ocorrer na partida. Pressionado pelo revés no Re-Pa, Jaques tem a

obrigação de classificar o time na Copa do Brasil. O fato de o PSC ter obtido a

vaga eliminando o Brasiliense, na semana passada, só piora as coisas, afinal

torcedor vive atento à grama do vizinho.

A tomar por base o que o Remo não conseguiu executar no clássico, a

tarefa para amanhã é dificílima. Nem tanto pelo adversário, mas pelas dúvidas e

hesitações do próprio Jaques. Sem um plano de jogo que defina o papel de cada

setor, seja no esforço de marcação quanto na capacidade de atacar, qualquer

adversário se torna temível.

Jaques precisa ser mais claro nas escolhas. Não pode mais, como fez

domingo, lançar um jogador (Gelson) sem ritmo num setor-chave da equipe,

abrindo mão de opções no banco – Djalma, Laílson e Lukinha.

Nem deve ignorar vulnerabilidades que o adversário concede, como a

improvisação de Perema na lateral direita do PSC, sem usar de imediato um

jogador (Ermel) talhado para explorar os lados do campo. Quando se deu conta e

lançou o atacante, o jogo já estava na metade.

Sobre o chiste do baiano Guanaes, citado lá no início, o contraponto ao

desgaste de Jaques é o estado de graça de Hélio dos Anjos, que emergiu do

tropeço feio frente ao Castanhal para uma recuperação surpreendente e

iluminada, com êxitos na Copa BR e no Estadual. Assim é a vida.

Elielton: mau rendimento ou castigo?

O técnico do PSC não deixou barato a dificuldade para renovação de

contrato de Elielton no final do ano passado. Em plena preparação para a final

da Copa Verde, após amistoso com o Sport Belém, na Curuzu, Hélio dos Anjos

criticou o que considerava intransigência do representante do jogador. Ficava

claro que contava com Elielton para reforçar o elenco.

Depois de algumas semanas de indefinição, o jogador renovou contrato e

jogou contra o Cuiabá na decisão da CV. Veio o Parazão e Elielton perdeu espaço

e prestígio, talvez pelo desgaste nas negociações contratuais. Jogou na

estreia, mas tem sido barrado na maioria dos jogos e perdeu vez até para

jogadores recém-chegados, como Uilliam e Deivid.

Por fim, ficou de fora do Re-Pa, apesar das baixas que forçaram até

improvisações no time. Pois, mesmo tendo experiência como ala direito, Elielton

não foi escalado e nem lembrado ao longo do clássico. O certo é que, em

situação normal, tem qualidades para brigar pela titularidade.

Trivial variado do pós-clássico

“O Remo perdeu pela falta de atenção, principalmente pela principal

jogada do time bicolor, que é a bola alçada na área. Parece que os auxiliares

técnicos e de desempenho do Remo e o próprio técnico não enxergaram isso. O

Remo é um time de baixinhos e jogadores franzinos, sem falar que o problema do

meio de campo continua. O Parker precisa de um parceiro inteligente, sem falar

no problema crônico das laterais. O treinador demora muito a mexer no time e,

quando troca, ainda põe jogadores que nada acrescentam. Só o Ermel, quando

entrou em cima do Perema, levou algum perigo. Parece que o treinador do Remo não

sabe armar o time e que lhe falta mais experiência e conhecimento tático”.

“Na prática, no Paissandu, a situação é a seguinte: os três atacantes

deveriam marcar a saída do adversário, porém, os dois da beirada jogam muito

recuados, perto dos três meio campistas e dos dois laterais, então, o time

tende sempre a ser amassado pelo adversário, até se for o horroroso time do

Brasiliense. Ontem (domingo), houve um lance em que o Alex Maranhão segurou a

bola e chamou pra passar o Deivid Souza, pensei até que o dito cujo estivesse

fora de campo tamanha a demora, mas era a apenas lentidão”.Fique por dentro do Parazão 2020. Assista as quintas-feiras o DOL Rádio Esporte

Foto: Divulgação/ Ascom PSC

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