Confiança é arma para final

Depois do último treinamento do PSC, no sábado, o zagueiro e

capitão Micael deu um depoimento interessante sobre as dificuldades esperadas

para o confronto com o Cuiabá na decisão da Copa Verde 2019. Sobre a falta de

ritmo competitivo, observou que a situação pode se tornar uma vantagem, visto

que o time paraense chega à final mais descansado que o adversário, entregue a

uma incrível maratona de oito jogos em 24 dias – média de uma partida a cada

três dias.

Outro ponto importante é que o Papão treina há mais de um

mês exclusivamente para fazer dois jogos. Essa concentração a um objetivo

específico pode resultar em rendimento mais produtivo, na comparação direta com

a caminhada do Cuiabá, que se divide entre a Copa Verde e a briga pelo acesso

na Série B.

É natural que os bicolores se mostrem atentos à excelente

fase vivida pelo Cuiabá na Segundona, mas não é sensato exagerar na dose de

preocupação. A diferença técnica entre as Séries B e C não é lá muito

expressiva. Aliás, o equilíbrio que prevalece hoje nas três divisões principais

ficou patente na vitória do próprio Cuiabá sobre o Goiás, que faz campanha

bastante elogiada na Primeira Divisão.

Sem a sequência de jogos que lhe permitiria atuar com mais

força no primeiro jogo da final, na próxima quinta-feira (14), o PSC pode, a

levar em conta as palavras de Micael, fazer um jogo estratégico em Cuiabá

explorando as subidas do adversário.

Para levar a melhor no primeiro embate, o PSC terá que

executar um esquema reativo, com a participação de alas e atacantes de lado.

Saber aproveitar os corredores laterais é fundamental a qualquer time que sofre

pressão. Ao mesmo tempo, é preciso ter cuidados com peças individuais do

Cuiabá, como Felipe Marques, que tem feito gols em quase todas as partidas.

A defesa tem sido principal setor do PSC na era Hélio dos

Anjos, garantindo a invencibilidade de 23 jogos – 16 empates e sete vitórias.

Micael, ao lado de Perema ou Vítor Oliveira, é peça de destaque na formatação

da zaga.

Suspenso pelo STJD – juntamente com o presidente Ricardo

Gluck Paul e o técnico Hélio dos Anjos –, ainda em função do jogo com o Náutico

nos Aflitos, o capitão deve atuar em Cuiabá por força de medida cautelar.

Fusão com Copa do Nordeste pode salvar a Copa Verde

Instituída em 2014, a Copa Verde até hoje não se consolidou

economicamente e é vista pelos clubes muito mais como opção de preencher

calendário. A cada temporada surgem especulações sobre sua extinção. Talvez por

isso, não tenha conquistado visibilidade e importância.

O desprestígio é tão óbvio que a CBF nem se dá ao trabalho

de incluir a competição na sua grade de torneios para o próximo ano. Depois,

quando instada a respeito, faz chegar aos clubes interessados a informação de

que o torneio está previsto – “mesmo fora de pauta” – para 2020.

No fundo, não há garantia real de que o torneio será mantido

nos próximos anos. Há o risco permanente de cancelamento, pois falta patrocínio,

sustentação financeira e os jogos são em grande parte deficitários.

Pela força das torcidas, a dupla Re-Pa tem bancado a

sobrevivência da competição – que nesta temporada ganhou a presença de times

goianos. A rivalidade turbina o interesse do torcedor, embora, na prática, a

maioria dos jogos seja pouco atraente, com participantes de baixa

qualidade.

A ideia de fortalecimento do futebol regional passa hoje por

uma mobilização da dupla Re-Pa no sentido de fundir a Copa Verde com a Copa do

Nordeste, torneio regional formatado por uma liga de clubes, o que lhe garante

independência em relação à CBF e liberdade para buscar parceiros.

Os entendimentos estão adiantados, com vivo interesse dos

clubes nordestinos, atentos à força popular de Remo e PSC. É justamente esse

patrimônio que pode permitir que a esvaziada Copa Verde conquiste vida nova se

for absorvida pela similar do Nordeste. As reuniões avançam, embora os

dirigentes locais evitem antecipar detalhes.

Racismo se alastra no futebol, turbinado pela cultura do

ódio

A batalha entre torcedores depois do clássico Cruzeiro e

Atlético-MG, no Mineirão, assustou pela violência exibida nas imagens que

correram o mundo. Os clubes devem ser punidos pelo STJD, com multas que podem

chegar a R$ 100 mil. Há a possibilidade de perda do mando de campo de uma a dez

partidas, embora tal sanção seja pouco provável.

"Olha a sua cor. Sua mãe está na zona”. Mais do que a

pancadaria nas arquibancadas, o episódio do Mineirão chocou pela atitude

racista de um torcedor atleticano ao se dirigir a Fábio Coutinho, um dos

fiscais de segurança do estádio. Além do insulto, o torcedor ainda cuspiu em

Fábio. Os vídeos postados nas redes sociais permitem identificar o agressor.

A lei manda que o clube seja enquadrado no artigo 243-G do

CBJD. O texto é claro: "Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou

ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo,

cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência".

O Galo pode ser multado em até R$ 100 mil e corre o risco

até de perder pontos. Segundo a legislação, os torcedores identificados pela

prática discriminatória “ficam proibidos de ingressar na respectiva praça

esportiva pelo prazo mínimo de setecentos e vinte dias”.

O problema é que atitudes racistas, abordadas na coluna de

ontem, avançam pelo mundo. O futebol europeu tem sido pródigo em incidentes de

insultos a jogadores negros, incluindo brasileiros, como Taison e Dentinho, na

Ucrânia. A ausência de punição rigorosa estimula a repetição em série desse

tipo de comportamento abusivo e inaceitável.

Sinal da passividade como a grave questão é tratada pelos

clubes brasileiros, a direção do Atlético-MG se limitou a divulgar uma curta

nota nas redes sociais: "As diversas imagens que circulam em redes sociais

são lamentáveis e devem ser objeto de rigorosa apuração".

Até quando?

Na próxima quinta-feira, Papão da início ao sonho do tri Foto: Jorge Luiz/PSC

Conteúdo Patrocinado

MAIS ACESSADAS